Tarte de mel, uvas e alecrim / Honey, grape and rosemary tart

(for the English version please scroll down)

Alecrim, esta estória começa com o alecrim, o mesmo da canção que dele diz que “nasceu no campo sem ser semeado”. Mas não é só no campo que encontramos este arbusto perfumado, num passeio mais atento por Lisboa também o encontramos, muitas vezes em flor, com toques de lilás entre as folhas verde vivo. Para ser mais precisa, ainda, esta estória começa com um arbusto de alecrim em flor que encontrei ao passear o meu cão Gaspar.

bolo4

Passear o cão é uma oportunidade para observar o bairro onde vivemos, a rua por onde passamos todos os dias, os pequenos ou grandes espaços ajardinados e descobrir neles alguma coisa nova… é quase meditativo se para isso quisermos aproveitar a oportunidade. No fundo, é descobrir, numa actividade que repetimos todos os dias, alguma coisa nova ou, mais poeticamente falando, é encontrar a magia nas pequenas coisas. A semana passada num desses passeios vi e senti o aroma do tal arbusto de alecrim e essa imagem ficou comigo, como uma coisa bonita e inesperada no passeio repetido de todos os dias.

alecrim

Passados um ou dois dias, recebi dos meus pais umas maravilhosas uvas Dona Maria, grandes e doces, ainda com aquele sabor de fim de Verão. Só que, e como sempre (e felizmente) acontece com os presentes vindos da parte da minha mãe as uvas chegavam para mim e para duas famílias inteiras! Comecei então a magicar nalguma coisa onde usar aquelas uvas deliciosas.

Acho que já estão a perceber o que aconteceu de seguida… a ideia das uvas misturou-se com a ideia do alecrim e como o alecrim tem flor, flor lembra abelha e abelha lembra mel, assim nasceu a ideia para um bolo que combinasse estes três elementos. Foi aí que entrou em cena uma memória de há muitos anos atrás, de uma tarte de maçã um tanto batoteira, porque se faz mais como um bolo mas tem formato de tarte. Essa tarte foi das primeiras que fazia sozinha e só precisava de uma tigela, uma vara de arames e cortar maçãs em rodelas. Mais fácil é difícil. Foi com tudo isto bem misturado que nasceu esta tarte que vos trago hoje.

bolo1

bolo2

Tentei que a tarte fosse o mais saudável possível, o leite que utilizei é vegetal, os ovos e a farinha são biológicos e utilizei mel ao invés de açúcar. Dito isto, o mel e todos os outros adoçantes naturais (xarope de agave, xarope de ácer, tâmaras, etc.) não deixam de ser açúcar e o nosso corpo não deixa de reagir ao açúcar da mesma forma, ou seja picos abruptos aos quais se seguem quedas abruptas dos níveis de açúcar no sangue, o que afecta o nosso equilíbrio e a nossa energia. Claro que há vantagens em utilizar estes e não o açúcar branco refinado que, pura e simplesmente, não tem qualquer tipo de nutriente, ao contrário dos referidos.

Ainda assim, convém pensarmos nos doces como uma coisa especial e tratá-los dessa forma. Ir a um café e pedir um bolo, a meu ver, não se qualifica como especial, agora, encontrar uma receita que nos agrade, pensar e escolher com cuidado os ingredientes e transformá-los num bonito bolo, tarte, sobremesa, isso já é outra coisa 😉

bolo3

Ingredientes

(para 6-8 pessoas)

  • 150 ml  de leite vegetal (eu usei leite de aveia caseiro, mas também podem usar leite de amêndoa)
  • 120 gr de farinha para bolos
  • 6 colheres rasas de mel (se o vosso mel for mesmo muito doce usem só 5)
  • 2 ovos biológicos
  • 2 colheres de sopa de azeite
  • ½ colher de chá de fermento para bolos
  • Raspa de 1 laranja
  • 1 cacho grande de uvas

Encontrem um arbusto de alecrim e tragam 4 pés para casa, de preferência floridos, assim mesmo à aventura!

Pré-aqueçam o forno a 180º. Aqueçam o leite num tachinho, mas sem ferver, coloquem lá dentro os pés de alecrim (reservem as florinhas), apaguem o lume e deixem em infusão uns 15 minutos.

Numa tigela misturem, com uma vara de arames, a farinha, o fermento, o mel, o azeite, a raspa de laranja os ovos e o leite passado por um passador (para não caírem bocados de alecrim na massa), de forma a ficarem com uma mistura homogénea.

Numa forma de tarde* , com fundo amovível, untada com azeite, deitem a massa e disponham as uvas concentricamente (ver foto).

Levem ao forno durante 45 minutos ou até a massa estar douradinha e ao espetarem um palito este sair seco.

Deixem arrefecer um bocadinho, desenformem e decorem com as flores do alecrim.

*A minha forma tem 28 cm.


Honey, grape and rosemary tart

Rosemary, this story starts with rosemary. There’s an old Portuguese song that sings “rosemary born in the fields without being sowed” (it sound lovely in Portuguese I promise). But it’s not only in the fields that we find this perfumed bush, in an observant walk through Lisbon we can find it too, many times flowering, with lovely touches of lilac amongst the bright green leaves. So, to be more precise, I should say this story starts with a rosemary bush I found when walking my dog Gaspar.

bolo5

Walking the dog is an opportunity to observe the neighborhood where we live, the street we walk through every day, the small or big gardens around us and to find something new there… it’s almost meditative, if we want to. It goes down to finding novelty, or more poetically, to find the magic of the little things, in an activity we repeat systematically every single day. Last week, in one of those walks I saw and smelled the lovely aroma of the rosemary and that picture stayed with me, as a new found treasure.

A couple days after this, I got from my parents some delicious white grapes, big and juicy, still with that lovely late summer flavor. However, and as usually (and thankfully) happens with gifts coming from my mom’s, the grapes where enough for me and for two extra families! That got me wondering about a way to use up those yummy grapes.

I think you can imagine what happened next… the grape idea mixed with the rosemary idea, and because rosemary has flowers, flowers make me think of bees, and bees make me think of honey, the idea of a cake that used those tree elements came up. And another memory way back from my childhood years came along to help the story, an apple pie, that was kind of a cheat, because you make it as a cake but bake it in a tart tin. This tart was one of the first recipes I did on my own and only required a bowl, a whisk, and chopping apples. You can’t make it easier. It was from all of this combine that the tart I bring you today was born.

I’ve tried to keep it as healthy as possible, the milk is vegetable milk, the eggs and flour are organic, and I used honey instead of sugar. That being said, honey and all other natural sugars (agave, maple syrup, dates, etc.) are still sugar and our body reacts to them in the same way, creating high and abrupt picks of blood sugar levels, followed by big and abrupt crashes, affecting our balance and energy. But of course it is better to use these and not white refined sugar that, simply, does not have any nutrients, while all other natural options offer some.

Still, it is better to think about sweets as something special and treat them that way. Going to an ordinary cafe and ordering any old pastry, the way I see it, doesn’t qualify as special. Now, finding a recipe that we fancy, thinking and choosing carefully the ingredients and transforming them in a pretty cake, pie, desert, that’s a different story 😉

bolo6

Ingredients

(for 6-8 people)

  • 150 ml of vegetable milk (I’ve used homemade oat milk, but you can also use almond milk)
  • 120 gr of pastry flour
  • 6 level table spoons of honey (if your honey is very sweet use only 5)
  • 2 organic eggs
  • ½ tea spoon of baking powder
  • Zest of one orange
  • 2 big handfuls of grapes

Find a rosemary bush and bring home 4 little branches, with flowers if possibly. Yes be adventurous.

Preheat your oven to 180º C. Gently warm up the milk in a small pan, but without bringing it to the boil, add the rosemary (keep the flowers), turn off the heat and let it infuse for 15 minutes.

In a bowl mix the flour, the baking powder, the honey, the olive oil, the lemon zest, the eggs and the milk strained through a sieve (we don’t want pieces of rosemary in the batter), and whisk until combined.

Pour the batter in a removable bottom pie tin* greased with olive oil, and lay the grapes in circles, like in the picture.

Goes into the oven for 45 minutes or until the top is nice and golden and you can insert a wooden screw and it comes out clean.

Allow it to cool a bit, remove from the tin and decorate with the rosemary flowers.

*Mine has 28 cm diameter.

Advertisements

6 thoughts on “Tarte de mel, uvas e alecrim / Honey, grape and rosemary tart

  1. Acabei de saber do teu blog e ja estou fa! Adoro as imagens muito apelativas e as ideias inspiradoras. Este bolo parece ser delicioso! Concordo absolutamente que a comida pode e deve servir para nos inspirarmos e mimarmos a nos próprios e aos outros. Parabéns! Continua. Vou espreitar sempre que possível.

    Like

  2. Fantástico!! A criatividade, o amor <3. Uma sugestão para mastigar: malte de cevada, geleia de milho ou de arroz a adoçar? O corpo não recebe como pico de açucar que são cereais fermentados, de processação (ou lá como raio de diz) lenta. Dá energia e tudo! Beijinhos queria Inês Lisboa! Queremos mais!

    Like

    1. Obrigada Catarina 🙂 sim são tudo boas opções e, sem dúvida, milhentas vezes melhores que açúcar refinado. No casa desta tarte o mel é um ingrediente e está presente, também, pelo seu sabor. Experimenta! Haverá mais, todas as semanas duas receitas novas!! beijinho

      Like

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s