Crumble de marmelo / Quince crumble

(for the english version please scroll down)

Há qualquer coisa nos frutos que só existem durante poucos meses no ano que me faz ter um fraquinho tremendo por eles. São quase presentes raros que a natureza põe ao nosso dispor se os soubermos aproveitar, se soubermos estar atentos às estações, às mudanças, por vezes subtis, que ocorrem de um mês para o seguinte. É assim com as cerejas, que vão de mãos dadas com os azuis vivos e aquelas tardes quentes de fim da primavera; com os figos que chegam com as manhãs quentes de verão e aquela luz dourada do fim do dia; e é assim com os marmelos que chegam quando o Outono já se torna evidente, as folhas das árvores já mudaram a paleta e assim que cai o sol já nos sabe bem o aconchego de um casaco mais quente.

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Em Portugal pensar em marmelos e não pensar em marmelada é uma quase impossibilidade. Na minha família sempre se fez marmelada em casa, a minha avó era uma exímia “fazedora” de marmelada, legado agora continuado pela minha mãe, que não lhe fica atrás. O aroma que fica na casa assim que os marmelos começam a ferver com o açúcar, juntamente com o toque da canela e da casca do limão são qualquer coisa que não se esquece. O ritual de colocar a marmelada, acabada de fazer, nas tigelas, para ficar depois junto a uma janela a ganhar aquela textura que permite cortar fatias densas e de um laranja vivo são deliciosas memórias de infância. Infelizmente e como todos os doces e compotas, a marmelada implica quantidades substanciais de açúcar….e isso já sabemos não é o melhor para nós. Por isso e atenção que não digo (e duvido que alguma vez o diga) para não comermos marmelada, mais ainda se for caseira, mas comam com moderação e apreciando cada instante e cada nuance daquele sabor tão especial.

No entanto e como não há bela sem senão, os marmelos são conhecidos por serem difíceis de cortar… a casca é rija, o interior também, e o caroço nem se fala! É tarefa para uma boa faca e uma mão disposta a passar pela provação pensando sempre no resultado final….ou então fazemos batota! Isso mesmo batota, como o que fiz nesta receita de crumble de marmelo ao cozer os marmelos com casca antes de os cortar. Porque meus amigos, nem uma pessoa que adora cozinha, adora descascar marmelos.

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E por falar em adorar, quem é que não adora um bom crumble?! A fruta delicada e macia por baixo e aquele crocante rico por cima… como não gostar. Aqui, em vez das mais tradicionais maçãs utilizei os marmelos e ficam maravilhosos. Tentei utilizar o mínimo de açúcar possível, só o suficiente para equilibrar a acidez dos marmelos. Em relação ao crumble têm duas opções no que toca à gordura, ou utilizam o óleo de coco para uma opção vegan ou a manteiga. Se utilizarem manteiga tentem que esta seja biológica ou feita a partir de leite de vacas que pastam ao ar livre.

Como já vem sendo hábito, não vos deixarei de referir alguns dos benefícios do marmelo. É um fruto pouco calórico, tem mais antioxidantes que pêras e maçãs, é rico em fibra, tem fitoquímicos que se ligam às toxinas que podem causar cancro no cólon, protegendo as mucosas de inflamações; é rico em vitamina C, cobre, ferro, potássio, magnésio e vitaminas do complexo B. Para além de tudo isto é abençoado com incríveis óleos essenciais, dando-lhe aquele aroma inconfundível. Assim que os cozerem vão ver como o aroma maravilhoso vos vai perfumar a casa.

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Por isso de que é que estão à espera?? Comprem marmelos, apanhem marmelos da árvore se possível e experimentem este crumble. Não se vão arrepender e se sentirem mais para o rebelde, até o podem comer ao pequeno-almoço.

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Ingredientes

(para 6-8 pessoas)

1,5 Kg de marmelo (+/- 9 marmelos)

1 limão

3 colheres de sopa de açúcar mascavado

1 colher de chá bem cheia de canela

2 laranjas

150 gr de flocos de aveia

2 colheres (cheias) de sopa de farinha (trigo, espelta ou outra que preferirem)

3 colheres de sopa de mel

3 colheres e ½ de óleo de coco ou 100 gr de manteiga

80 gr de nozes

1 colher de sopa de sementes de girassol

1 pitada de sal

Numa panela grande cozam os marmelos inteiros com meio limão por 15 minutos. Escorram e deixem arrefecer. Descasquem os marmelos e cortem-no em pedaços. Coloquem num tabuleiro de ir ao forno e juntem o açúcar, a canela e o sumo de laranja, envolvendo bem.

Pré-aqueçam o forno a 180º.

Podem fazer o crumble no robot de cozinha, basta colocarem os flocos de aveia, a farinha, o mel o óleo de coco ou a manteiga (partida em cubos), o sal, as nozes e as sementes de girassol e carreguem no pulse umas quantas vezes até estar tudo ligado, como na foto. Ou, caso não tenham robot de cozinha, piquem as nozes e as sementes com uma faca, e misturem tudo com as mãos, usando as pontas dos dedos até terem uma espécie de migalhas.

Distribuam o crumble por cima dos marmelos e levem ao forno por 40 minutos ou até o topo estar douradinho.

Podem servir com gelado, ou com iogurte natural ao qual juntam raspa de laranja, como fiz aqui.


Quince crumble

There’s something about fruits that are only available for a few months that makes me have a huge crush on them. They’re rare gifts that nature serves us if we are aware, if we pay close attention to the seasons, if we notice the, sometimes, subtle changes that occur from one month to the next. That’s the way with cherries, that go hand in hand with the vivid blue skies, and those warm Spring afternoons; with figs that arrive with the warm summer mornings and that golden light of the end of the day; and that’s the way with quinces that arrive when autumn is already apparent, when the leaves of the trees changed our daily palette and as the sun goes down we find comfort in a warm coat.

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In Portugal thinking about quinces without thinking about marmelada (quince thick jam) is almost impossible. In my family, marmelada has always been handmade, my gramma was a flawless marmelada maker, legacy that my mom continues and she is amazing at it too. The aroma that fills the house as soon as the quinces start to boil with the sugar, along with the touch of cinnamon and the lemon zest, is something you never forget.  The ritual of getting the hot marmelada in bowls by the window, allowing it to gain the texture that allows cutting dense bright orange slices, are dear childhood memories. Sadly and as all jams and compotes, marmelada also implies copious amounts of sugar… and we already know that’s not the best for us. So, and I’m not (and probably never will) say not to eat it, especially if it is homemade, but we should have it with moderation, taking our time to enjoy every moment and every nuance of that unique flavor.

However, and because all roses have their thorns, quinces are known for being hard to cut and peel… the skin it though, the flesh is hard, and the core a nightmare, and they are far to astringent to eat raw. It’s a job for a good knife and a hand willing to go through the ordeal while focusing on the end result….or, we can cheat! Yes cheat, as I’ve done here in this quince crumble, by boiling the quinces whole and cutting and peeling afterwards. Because my friends, not even someone that loves cooking, loves to peel raw quinces.

And talking about loving, who doesn’t love a good crumble?! The delicate, soft fruit contrasting with that rich, crunchy topping… what’s there not to like? Here, instead of the more traditional apples , I’ve used quinces and they were lovely. I tried to use as little sugar as I could, only enough to balance the acidity of the quinces. As for the crumble you have two options for fat, you either use coconut oil for a vegan option or butter. If using butter, try to use organic or grass fed if you can.

As in my previous posts I also wanted to include some of the benefits of the quince. It’s very low on calories, has more antioxidants than pears and apples, it’s rich in fiber, has phytochemicals that bind to toxins that can cause colon cancer, protecting the lining of the intestines from inflammation. It’s also rich in vitamin C, coper, iron, potassium, magnesium and B vitamins. Besides all of that goodness, its loaded with essential oils. As soon as they hit the hot water your home will be flooded by the most delicious perfume.

So what are you waiting for?? Go get yourselves some quinces, buy them, forage them, and try this crumble. You will not regret it, and if you’re feeling a bit rebellious you can even have it for breakfast.

Ingredients

(for 6-8 people)

1,5 Kg of quince (+/- 9 quinces)

1 lemon

3 heaping table spoons of moscovado sugar

1 heaping tea spoon of cinnamon

2 oranges

150 gr of rolled oats

2 heaping table spoons of flour (wheat, spelt, or whatever you prefer)

3 table spoons of honey

3 and ½ table spoons of coconut oil or 100gr of butter

80 gr of walnuts

1 table spoon of sunflower seeds

1 pinch of sea salt

In a big pot boil the whole quinces with half a lemon for 15 minutes. Drain and allow them to cool. Peel the quinces, remove the core, and cut them into chunks. Lay them on an oven tray, add the sugar, the cinnamon and squeeze in the oranges, tossing all together.

Preheat your oven to 180º.

For the crumble you can use the food processor and pulse the oats, flour, honey, coconut oil or butter (cut into cubes), salt, walnuts and sunflower seeds, until it’s all evenly distributed. Or, if you don’t have a food processor, simply chop the nuts and seeds with a knife, and mix everything together with the tips of your fingers until it looks and feels like course bread crumbs.

Spoon the crumble on top of the quinces and bake for 40 minutes, or until the top is nice and golden.

You can serve it with ice-cream or with natural yogurt mixed with orange zest like I’ve done here.

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7 thoughts on “Crumble de marmelo / Quince crumble

  1. Esta foi pura poesia! Que maravilha que é assistir a esta tua partilha assim para o mundo! E que orgulho grande que tenho em ti.
    Vou provar esta, que o teu crumble de maçã é uma maravilha! 😉

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  2. Inês, esta sobremesa tem um aspecto delicioso! A forma como escreves e partilhas connosco é fantástico. Vou ficar à espera que a Nana cozinhe para eu provar. 🙂

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