Salada de abóbora, couves-de-bruxelas e lentilhas pretas / Squash, Brussels-sprouts and beluga lentils

(for the English version please scroll down)

Pareceu-me que estava a faltar aqui no blog um post dedicado a refeições só para um. Nunca fui daquelas pessoas que acha que só por estar a fazer refeição para si própria não é importante um esforço, não é importante fazer bom e bonito. O nosso corpo, mais alto ou baixo, gordo ou magro, assim e assado, é o único que temos e cabe-nos a nós tratá-lo bem. Por isso nada de desculpas que não é por falta de companhia que a nossa alimentação deve ser menos mimada.

Cozinhar só para nós é uma excelente oportunidade para fazer experiências, para dar largas à imaginação, para tentar alguma combinação à primeira vista menos provável. Só ter de agradar a nós mesmos pode ser uma grande vantagem quando estamos com vontade de ser inovadores na cozinha. É claro que cozinharmos para aqueles de quem gostamos e com aqueles de que gostamos é maravilhoso. Partilhar o amor com que se prepara um prato é uma experiência incrivelmente gratificante. O que quero dizer é que não é bom desmerecermos qualquer uma das experiências. Aproveitemos os momentos a sós na cozinha e agradeçamos os momentos partilhados também.

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Se acompanham o Instagram da my tiny green kitchen já sabem que não tarda quase nada (yay!!!!) irei estar, durante uns tempos, um bocadinho mais longe de Portugal e vai ser um tempo para aproveitar e muito as refeições a dois. Também por isso quis escrever este post como uma homenagem a todas as refeições de um prato só e dar-vos alguma inspiração nesse sentido.

Por isso falemos da receita. É muito simples, só quatro ingredientes + um molho clássico e delicioso. Mas não se deixem enganar pelo ar singelo porque tem um truque para a tornar deliciosa e nada aborrecida. Como vos tinha falado aqui, uma técnica que adoro para extrair sabor aos vegetais, principalmente no Inverno, é grelhar até conseguir alguma caramelização, ou seja, até ter marcas de grelhado mas sem queimar. O sabor que conseguem assim é óptimo, dá mesmo aos vegetais outra dimensão. Para que esta receita corra bem ficam aqui umas dicas:

– Não tenham medo de aquecer e bem a frigideira, só assim vão conseguir os resultados procurados;

– Conheçam e compreendam os óleos que estão a utilizar. Para esta receita é preciso um que óleo estável que aguente bem as altas temperaturas. O meu favorito é o ghee muito utilizado na cozinha indiana e feito a partir de manteiga sem sal a qual é aquecida até ao ponto em que os resíduos lácteos se separam da gordura. Se quiserem saber mais sobre ghee ou tentarem fazer o vosso em casa, espreitem aqui, aqui e aqui;

– Deixem que os vegetais ganhem alguma cor, entre caramelizar e grelhar ainda vai uma distância. Estejam atentos mas confiantes.

E já agora, há por aí ainda algum céptico ou traumatizado de infância pelas couves-de-bruxelas? É que se há então esta receita é perfeita! Sim, também eu durante anos jurava a pés juntos que odiava estas pérolas. O que, percebo hoje, se devia mais à forma como eram confeccionadas do que propriamente ao vegetal em sim. Garanto que a combinação das couves-de-bruxelas com a doçura da abóbora e o sabor das lentilhas pretas é óptimo para vos fazer repensar a vossa relação com as couves-de-bruxelas. É que ainda por cima são excelentes para nós. Como qualquer membro da família das crucíferas são uma excelente fonte de vitamina C, A, ácido fólico, potássio, fibra e ainda contêm ómega 3! As couves-de-bruxelas em particular têm ainda sulforafano que ajuda o nosso organismo a livrar-se de substâncias potencialmente cancerígenas. Nada mau! Tudo isto conjugado com as vitaminas e nutrientes presentes na abóbora e com a proteína, fibra, ácido fólico e demais nutrientes das lentilhas fazem desta refeição para um, um mimo merecido e saboroso para o organismo. Sejam bons para vocês mesmos!

P.S.: E se querem ser bons para vocês mesmos quando têm pela frente longas viagens de avião não percam o post da próxima segunda-feira com tudo o que vou levar na minha longa viagem de 18 horas e 3 aviões.

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Ingredientes

(para 1)

  • 150 gr (ou uma mão bem cheia) de abóbora hokaido (ou cabacinha) descascada e cortada em cubos
  • 120 gr (ou uma mão bem cheia) de couves-de-bruxelas
  • 4 ou 5 colheres de sopa de lentilhas pretas cozidas
  • 1 mãozinha mal cheia de amêndoas picadas grosseiramente
  • ½ colher de chá de ghee

Molho

  • 1 colher de café mal cheia de mel (ou xarope de ácer para versão vegan)
  • 1 colher de café de mostarda
  • 1 colher de sopa de azeite
  • ½ colher de sopa de sumo de limão
  • 1 boa pitada de sal

Comecem por fazer o molho. Basta juntar todos os ingredientes numa tacinha e misturar bem com uma colher.

Aqueçam bem uma frigideira antiaderente. Derretam o ghee e grelhem a abóbora cortada em cubos pequenos. Deixem estar uns 3 ou 4 minutos para caramelizar. Com uma colher virem os cubinhos de abóbora e juntem as couves-de-bruxelas arranjadas (lavadas, pé cortado e folhas exteriores menos boas retiradas). Deixem as couves ganhar alguma cor também, deve demorar uns 3 minutos. Adicionem as amêndoas e umas 5 colheres de sopa de água à frigideira e tapem com uma tampa. A água deve evaporar em poucos minutos, mas será o suficiente para cozinhar bem os vegetais. Juntem as lentilhas e misturem bem para aquecer as lentilhas. Coloquem num prato e sirvam com o molho.


 

Squash, Brussels sprouts and beluga lentils

I felt the blog was lacking a post on meals for one. I’ve never been one of those people that feels just because you’re cooking only for yourself it’s not worth an effort to make it well and beautiful. Our body, taller or shorter, thinner or fatter, is the only one we’ve got and it’s our job to treat it well. It’s not because we don’t have company that we have an excuse not to give ourselves a little TLC.

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Cooking just for ourselves is an excellent opportunity to experiment, to be creative, try more unlikely combinations. Only having to please ourselves can be an advantage when we’re in the mood to be innovative in the kitchen. Of course cooking for the ones we care and with the ones we love is amazing. Sharing the love we put in a dish is so rewarding. But my point is we should enjoy both experiences. Having fun when we’re alone and cherishing the moments we cook for our loved ones too.

If you follow my tiny green kitchen on Instagram you know that very soon (yay!) I’ll be far from Portugal for a while and it will be a wonderful time to enjoy meals for two. That’s another reason why I wanted to write this post, to honor all the meals for one and give you some inspiration for those.

So let’s talk about today’s recipe. It is very simple, only 4 ingredients +a classic and delicious dressing. But don’t be fooled by the simplicity, there’s a little trick to make it exciting. As I’ve told you here a technique I love to extract flavor from veggies is to char them. The flavor you get is great and really gives another dimension to the dish. So let me give you some tips for this recipe:

– Don’t be scared of really heating your pan, only that way you’ll achieve the char touch we’re looking for here;

– Know and understand the oils you’re using. For this recipe you need a stable oil that takes high temperatures. My favorite is ghee. Ghee is a staple on Indian cooking and made by separating the milk solids in butter from the pure fat. Learn more about ghee here and here;

– Allow your veggies to gain some color, you’re after caramelization so keep your eye on it and be confident.

And is there any skeptical or carrier of a childhood trauma regarding brussels-sprouts? If so this is a perfect recipe for you! I too for many year would swear this little pearls were a nightmare and hated them. Today I understand that had to do mainly with how the Brussels-sprouts were cooked and less with the veggies themselves. I guarantee that the combination of the Brussel-sprouts with the sweetness of the squash and the flavor of the black lentils is awesome and will make you rethink your position regarding these little pearls. Because they are also amazing for us. As all members of the cruciferous family they are a great source of vitamin C, A, folic acid, potassium, fiber and omega 3 fatty acids. The brussels-sprouts in particular also have sulforafane that helps our body to expel potentially cancer causing substances. Not bad, right?! All of this along with the vitamins and nutrients of the squash and with the protein, fiber, folic acid and overall goodness of the lentils makes this meal for one a real tasty treat for our system. Be good for yourselves!

P.S.: And if you want to be good for yourself while travelling and facing long hours in airplanes don’t miss next Monday’s post with all that I’m taking with me on my long 18 hours, 3 airplanes trip.

Ingredients

(for 1)

  • 150 gr (or a big handful of red kuri squash (or butternut) peeled and cut into cubes
  • 120 gr (or a big handful) of brussels-sprouts
  • 4 ou 5 table spoons of cooked belouga lentils
  • 1 small handful of roughly chopped almonds
  • ½ tea spoon of ghee

Dressing

  • ½ coffee spoon of runny honey (or maple syrup if you’re vegan)
  • 1 coffee spoon of mustard
  • 1 table spoon of olive oil
  • ½ tale spoon of lemon juice
  • 1 good pinch of salt

Start by stirring all the sauce ingredients in a small bowl until combined and creamy.

Heat up a non-stick pan. Melt the ghee and char the squash. Allow it to grill nicely on one side for about 3 to 4 minutes. With a spoon flip the squash cubes and add the brussels-sprouts (cleaned, ugly outer leaves removed). Allow the brussels-sprouts to char too, for about 3 minutes. Add the almonds and 5 table spoons of water and cover with a lidd. The water should evaporate in a few minutes but it will be enough to cook the veggies trough. Add the lentils and stir to heat the lentils. Serve in a plate or bowl and dress with the dressing.

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8 thoughts on “Salada de abóbora, couves-de-bruxelas e lentilhas pretas / Squash, Brussels-sprouts and beluga lentils

  1. Ai Inês, 3 aviões e 18h de viagem! Força rapariga, tens de caprichar mesmo em todas as refeições 🙂 concordo e muitas vezes aproveito para fazer experiências e testar receitas que acho que restantes não vão aderir.
    Em pequena não me lembro se comíamos couves de bruxelas, mas hoje em dia adoro mesmo, mas é uma pena que aqui não encontro frescas (já pensei em cultivar).
    Salada quente e perfeita, com essa caramelização.
    Um beijinho (e aproveita bem essa viagem!!)

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    1. Querida Inês muito obrigada 🙂 acabei agora mesmo de preparar tudo, acho que não vou passar fome 😉
      Aqui já encontrei as couves de bruxelas quer no mercado biológico, quer em diferentes mercados tradicionais em Lisboa e Vila Franca de Xira. Mas se conseguires cultivar ainda melhor!
      Fico tão contente que tenhas gostado da receita, eu estou ligeiramente viciada nela 😀
      Um beijinho grande

      Like

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