Bolo vegan de abóbora/ Vegan pumpkin bread

(for the English version please scroll down)

Novembro tem qualquer coisa de especial em Lisboa. O ar frio que nos arrepia e o sol ainda quente que nos aquece e nos faz esquecer que o Natal está aí tão perto. O sol mais baixo a trazer fins de dia tão bonitos e cada pôr-do-sol a concorrer para capa da National Geographic. As coisas pequenas. Há tanta magia nas coisas pequenas. Haja olhos para as ver.

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Este início com liberdades poéticas antes de vos falar da receita de hoje, que mais do que uma receita é um processo, ou melhor, tem vindo a ser um processo que prevejo perdure. Já vou contei que fazer bolos faz parte de mim, que de pequena ficava feliz a olhar para o forno e a ver o bolo a crescer, a passar de massa para bolo e o cheirinho que invadia a cozinha, e aquele momento épico de virar a forma. Ou seja, o processo era/é para mim fundamental. Já fiz bolos suficientes para conhecer o processo, para não precisar de seguir receita, para perceber alguma da alquimia química por detrás de um bolo. Mas, não fiz bolos vegan suficientes para os perceber. E este é um desafio que estou a abraçar no momento.

Desde há alguns meses que procuro não consumir lacticínios e ovos. Ora, todo o meu conhecimento de bolos se baseava em utilizar os ovos como elemento mágico que ajudava a produzir aquele efeito que me fascinava em criança: o ver o bolo crescer. Sem ovos a história é outra. Claro que há maneiras e os bolos ficam fofos e leves na mesma. Mas (e este mas é bem grande) eu não queria utilizar qualquer ingrediente refinado… Ou seja, outro elemento ter em conta nesta equação química.

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Fiz várias tentativas, umas mais felizes que outras. Fiz experiências com sourdough (massa velha) porque não queria usar fermento, mas ainda preciso de mais umas quantas experiências para atinar com o processo. Finalmente, com esta receita fiquei feliz. É um bolo não muito doce, pensem tipo pão de banana com abóbora, só com ingredientes do bem e ainda por cima, muito mas muito fácil de fazer. Só precisam de uma tigela, uma varinha mágica e uma colher de pau ou salazar. É óptimo simples ou acompanhado com fruta, iogurte, ou barrada com um bocadinho de manteiga de amêndoa. Sirvam com um chá enquanto o sol da tarde mostra todo o seu dourado e garanto que vos arrancará um sorriso.

Felizes entardeceres de Novembro e até para a semana!

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Ingredientes

  • 2 cups de farinha de trigo integral (ou espelta)
  • ½ abóbora cabacinha assada (+/- 160 gr)*
  • 1 maçã
  • ½ cup de xarope de ácer
  • ¼ cup de azeite
  • 1 colher de sopa de sementes de chia + 3 colheres de sopa de água
  • 1 colher de chá de erva doce**
  • ¼ cup de leite vegetal (usei de amêndoa caseiro)
  • 1/8 cup de coco ralado
  • 2 colheres de chá de fermento em pó (sem alumínio)
  • 1 colher de sopa de vinagre de sidra
  • 1 mão bem cheia de nozes

Pré-aquece o forno a 180º e forra a forma com papel vegetal. Mistura as sementes de chia com as 3 colheres de água e deixa formar um gel.

Numa tigela junta abóbora (sem casca), a maçã (com casca) cortada em pedaços, o xarope de ácer, o azeite, o leite vegetal, a erva-doce, o sal e o vinagre. Com a varinha mágica tritura tudo até teres um puré. Junta a farinha, o fermento, o coco e a chia demolhada, envolvendo bem. Finalmente junta as nozes, coloca na forma e leva ao forno durante aproximadamente 1 hora.

*Corta a abóbora ao meio, retira as sementes, unta com um bacadinho de óleo de coco e leva ao forno a 200º durante 30 a 40 minutos.

** Se não gostas de erva-doce substitui por canela ou uma mistura de canela, gengibre e cardamomo.


Vegan pumpkin bread

November is special in Lisbon. The air cools down and you get that morning chill but the sun is bright and still warms our skin making us forget that Christmas is so close. The lower sun brings the most beautiful afternoons with sunsets looking like National Geographic covers. The little things. There’s so much magic in the little things. May we have eyes to admire them.

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A little bit of poetic liberty to start before telling you about today’s recipe, well more than the recipe, the path to it. I have already told you that baking is part of me. Since I was a little I would feel happy admiring a cake baking in the oven, seeing it going from dough to cake, the smell invading the whole kitchen and that epic moment of flipping the mold. The process was/is fundamental to me and a big part of the fun. I have made enough cakes to understand the process without following a recipe, to understand something of the chemistry behind a cake. But, I haven’t made enough vegan cakes to understand them. And this is one of the challenges I’m embracing in the kitchen at the moment.

A few months ago I have stopped eating dairy or eggs. And all my cake expertise were based on using eggs as that magical element that produced that effect I was fascinated by as a child: seeing the cake rise in the oven. Without eggs you have to adapt. Of course there are ways and there amazingly fluffy and light vegan cakes. But (and this is quite a but) I didn’t want to use any refined ingredients….another element to add to the equation.

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I’ve made several attempts, some worked out better than others. I experimented with sourdough since I didn’t want to use baking powder but that will need some extra experiments before sharing. Finally, when this cake came out of the oven, I was happy. It’s not overly sweet but it uses wholesome ingredients and it is very easy to make. You only need one bowl, a hand blender and a spoon. It’s delicious as is or with fruit and a dollop of yogurt, or with a little bit of almond butter smeared on top. Serve it with a cup of tea while the afternoon sun brings out it’s golden beauty and I promise it will make you smile.

Happy November sunsets and see you next week!

Ingredients

  • 2 cups of whole wheat flour (or spelt)
  • ½ baked butternut squash +/- 160gr *
  • 1 apple
  • ½ cup maple syrup
  • ¼ cup olive oil
  • 1 tbsp chia seeds + 3 tbsp water
  • 1 tsp aniseed**
  • ¼ cup vegetable milk (I’ve used homemade almond milk)
  • 1/8 cup shredded coconut
  • 2 tsp baking powder
  • 1 tbsp apple sider vinegar
  • 1 pinch of salt
  • 1 large handful of walnuts

Preheat your oven to 180ºC and line the cake tin with parchment paper. Combine the chia with the water and let it form a gel.

Add to a bowl the squash (without the skin), the apple (skin on) cut into chunks, the maple syrup, olive oil, vegetable milk, aniseed, salt and vinegar. Blend everything with a hand blender until you have a soft pure. Add in the flour, baking powder, coconut and soaked chia, mixing gently to combine. Fold in the walnuts, transfer to the tin and bake for about 1 hour.

* Cut the butternut in half, remove the seeds and rub a tiny bit of coconut oil all over it. Roast for 30 to 40 minutes at 200ºC.

**If you don’t like aniseed you can add cinnamon or a mix of cinnamon, ginger and cardamom instead.

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6 thoughts on “Bolo vegan de abóbora/ Vegan pumpkin bread

  1. Queria Ines! (Desculpa a falta de acentos, teclado austríaco tem uns, mas não coloca automaticamente outros)

    Gostei muito da introdução. Fez-me viajar.. sou um pouco utópica com estas coisas. Gosto de por-do-sol, do romantismo, da neve, do frio mas da lareira ao mesmo tempo. E então andei um pouco a viajar quando li o teu primeiro parágrafo.

    Nao sou de doces, não uso açúcar em casa, nem farinha – só as de aveia, arroz, amêndoa… ou seja, a farinha branca também não a uso em casa e tento ao máximo ler sempre os rótulos antes de comprar o que seja. Não gosto de ter em casa produtos com ingredientes que não faço ideia o que sejam. Mas, com a vinda do veganismo, uma nova porta abriu-se à descoberta dos doces. Sabes, quando leio blogs de comida e vejo doces, procuro sempre se na receita se mete açúcar ou não, porque caso tenha, ignoro a receita. Gosto de ler receitas com ingredientes reais, sem açúcares e sem farinhas – e no caso de ter farinha, podemos sempre substituir por uma mais “saudável”. Mas no fundo, receitas simples, rápidas e saborosas, porque também é possível! Isto para te dizer, que nunca me saíram bem os doces, só mais recentemente com os doces vegan parece que funciona sempre tudo bem. E o teu é lindo, com ingredientes do bem, como disseste. E as pepitas de romã dar-lhe um toque ainda mais especial. Fiquei com muita vontade de experimentar, mas mais ainda de comer! (não me esqueço do convite, ok? :D)

    Já que “nos conhecemos” pelo instagram, não sei se segues a conta “feasting on fruit”. É uma prova de que os bolos vegan não tem (acento..) de ser aborrecidos. E são deliciosos, só com produtos naturais.

    Um beijinho e vemo-nos por aí 🙂

    teresa

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    1. Querida Teresa,
      Desculpa a demora na resposta, os dias têm sido muito apressados…. mas hoje, finalmente, há tempo. E mais sol bonito de Novembro a entrar pela janela e a fazer o Tejo brilhar tanto que a superfície parece de cristal. Fico muito feliz por saber que gostaste do primeiro parágrafo, nunca sei bem se quem me lê vem só pelas receitas ou quer ler mais. Na dúvida sigo o que me faz sentido a mim e por isso que contento fico de te fazer sentido também.
      Partilhamos a mesma filosofia, os doces podem ser feitos com ingredientes reais, a natureza tem tanto doce naturalmente que não vejo grande necessidade de recorrer a ingredientes artificiais.
      O convite está de pé!! E o chá está sempre preparado também.
      Obrigada pela dica, vou espreitar o instagram que me dizes.
      Um beijinho grande e um dia muito feliz.
      Inês

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    1. Thank you so much dear Kimberly. It really warmed my heart to read your comment.
      Sourdough is such an adventure, but when you start getting the hang of it it feels like magic. I don’t always get it right but I can say that the more you make the better you get.
      Big hug
      Inês

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